COMO CRIAR ANTAGONISTAS PODEROSOS

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Em nossas histórias, costumamos demandar muito tempo criando nossos protagonistas e seu aliados, construindo diversas características dos personagens e os aprofundando na trama. Porém, muitos se esquecem de fazer o mesmo trabalho com o antagonista, o que acaba deixando a história mais fraca.

A importância de criar bons antagonistas caminha junto com a estrutura, pois as histórias se movem através de conflito. Por antagonista quero dizer aquele que age de forma contraria ao protagonista, ou seja, que tem um desejo que caminha no sentido oposto do herói da história. Esse papel cabe normalmente aos vilões, mas não necessariamente um vilão é um antagonista. Séries que tem anti-heróis como protagonistas como Breaking Bad e House of Cards explicam isso por si só.

Também existem os casos de protagonistas que não são anti-heróis com antagonistas que não são vilãos. No filme Rush – No limite da emoção, por exemplo, James Hunt é antagonista de Niki Lauda. Ele não é vilão, não traça planos para destruí-lo, mas é um competidor que está o tempo todo contra o protagonista. Dá pra sentir a diferença?

Criando antagonistas

O público gosta de se relacionar com os personagens e acompanhar suas  trajetórias, até mesmo a dos que eles mais odeiam (talvez as desses mais ainda) e por isso, o antagonista precisa ter um desejo claro. Um vilão que é mau apenas por ser mau é apenas uma fachada, uma desculpa para a história se desenvolver, e o público percebe isso.

Imagine a seguinte história: Um grupo de pessoas está perdida em uma floresta e precisa achar o caminho para casa para não morrer de fome. Porém, uma família de ursos está atacando todos na região por conta do desmatamento que vem acontecendo. O antagonista no caso são os ursos. Eles não são personagens profundos e complexos, porém eles querem alguma coisa: preservar o lugar onde moram. E é esse conflito de interesses que move a história.

Existe história sem antagonista?

Elas provavelmente devem existir. Mas posso assegurar que não são as melhores. Nós amamos as histórias porque vemos o conflito sendo superado, sendo resolvido positiva ou negativamente e a possibilidade do conflito nos dá vontade de querer mais e mais. Pode ser que o antagonista de uma história não seja um ser humano ou um ser antropomorfizado, mas ainda assim é um protagonista.

Forças da natureza, por exemplo, podem ser antagonistas, mas por não serem personagens, muitas vezes os filmes que tratam desse tema acabam criando pequenos antagonistas dentro de uma subtrama para o público sentir que existe alguém “mau” na história. Esses personagens normalmente são descartáveis e a história andaria sem eles. As histórias mais interessante são aquelas que conseguem trazer níveis diferentes de antagonismo com a mesma intensidade.

“Todos nós somos potenciais vilões. Se formos bastante pressionados, empurrados além de nossas medidas, o nosso sistema de autopreservação assume o comando e nos tornamos capazes da mais terrível vilania”. – Frank Tomas e Ollie Johnson

Por fim, um dos maiores segredos é humanizar os seus antagonistas a ponto do público sentir que aquilo pode ser real, pelo menos dentro daquele universo. Quanto mais o público ver o lado “bom” do vilão, mais ele se sente incomodado com suas atitudes e instigado a querer assistir mais o seu filme, série, ou qualquer storytelling que você esteja criando.

A importância de existir um personagem tão forte quanto o protagonista da sua história vai além da profundidade que dois personagens muito bem construídos podem te dar, também te dá possibilidade de elevar o nível dos conflitos, de brincar com a estrutura e deixar a narrativa ainda mais interessante. Lembre-se disso na hora de criar sua próxima história.

Faz sentido pra você? Role a página e deixe seu comentário!

*Texto de Tom Freitas

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