COMO (E POR QUE) ESCREVER DIÁLOGOS?

Tempo de leitura: 2 minutos

Alguns alunos me dizem: “eu adoro diálogos!”. Porém, é importante saber COMO e POR QUE utilizá-los. De uma coisa eu tenho certeza: não escrevemos diálogos porque gostamos. Escrevemos porque são necessários.

A melhor maneira de perceber a necessidade de um diálogo é tentando escrever antes a cena e depois – caso necessário – o diálogo. Robert Mckee diz algo parecido, quando salienta: o diálogo intensifica algo que a ação não dá conta.
 
Faz sentido?
 
Neste comercial, fica evidente que caberiam outros diálogos. Mas não foi nem um pouco necessário.

 
Lógico que isso tudo leva em conta o gênero, a mídia, o canal, a plataforma, o público-alvo.
Mas até em locais que precisam ser cheios de diálogos é possível criar cenas cortando a ‘falação’ sem sentido. A televisão aberta, por exemplo, precisa de personagens falantes. As HQs também. Entretanto, quando exercitamos e analisamos, os diálogos podem ser mais carregados de subtexto.
Subtexto é a mensagem implícita ou subentendida naquilo que alguém diz ou escreve. O espectador percebe que o Personagem A quer beijar o Personagem B. Mas ninguém falou nada sobre isso. É aquilo que o personagem esconde, mas aos poucos, com uma análise rápida, é possível notar.
É o que ocorre em “Tarantino’s Mind”, um filme protagonizado por Selton Mello e Seu Jorge. São 15 minutos com diálogos e alguns inserts. Mas cheio de subtextos.

Em poucas palavras:
  • você escreve diálogos quando a ação não consegue resolver alguma situação;
  • todos os diálogos devem ser recheados de subtexto.

Neste ponto é interessante perceber que autores, como Woody Allen e Almodóvar, realmente adoram diálogos. Mas a grande maioria das palavras que saem da boca dos personagens fazem sentido.

Veja esta Sequência e perceba que os atores dizem algo “sem dizer” algo:

Isso também vale para outros campos do Storytelling. Imagine uma reportagem em um grande jornal. Os depoimentos das fontes só aparecem quando realmente fazem sentido e confirmam uma situação do texto. Não há necessidade de utilizar depoimentos a mais.

Em um documentário não é diferente. Perceba que muitos docs são baseados em depoimentos, mas geralmente as falas são retiradas de um material bruto muito maior. Ou seja: foi utilizado apenas o melhor do melhor.

Mesmo assim, nos últimos anos, o documentário tem ganhado diversos caminhos que se assemelham à ficção. Se você assistir Elena (BRA, 2012) é claríssimo que as falas não surgem a todo instante. Surgem apenas quando precisa! Também poderíamos listar alguns documentários disponíveis na Netflix, como Steve Aoki – I’ll Sleep When I’m Dead, Chef´s Table e Amy.

Por isso eu recomendo que meus alunos digam: “eu adoro diálogos com subtextos inteligentes”.

Role a página e deixe um comentário 😉 

 

1 Comentário


  1. Os diálogos são realmente um grande elemento de imersão, pois humanizam os personagens, porém; é muito utilizado de forma desnecessária, pois pequenos gestos falariam por si só.
    Um olhar, um erguer de sobrancelhas, um sorriso, um toque no corpo do outro, são muito mais intensos e necessários (principalmente na narrativa audiovisual) do que longas falas, com pouca relevância ou prolixas.
    O REGRESSO, de Alejandro G. Iñarritu é um grande exemplo contemporâneo de poucos diálogos, muito subtexto, e profundidade.

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