TÉCNICAS PARA ESCREVER BONS DIÁLOGOS

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Você provavelmente deve ter algum diálogo memorável do seu filme favorito em sua cabeça. Por criarem momentos inesquecíveis, o público acaba se apaixonando muitas vezes por momentos onde um assassino faz um monólogo antes de matar sua vítima ou um paranoico tenta explicar a sua visão para o mundo. Mas antes de tudo isso existir houve muito trabalho. Os grandes mestres não chegaram lá por acaso.

Sempre presentes nas rodas de conversa e nas citações de filmes, os diálogos muitas vezes iludem o roteirista e nos fazem perseguir algo não tão importante para a história. Não é que não devemos nos preocupar em ter boas falas, mas primeiramente devemos entender o processo para chegar até ele. Um processo que envolve construção de personagem, estrutura da história e todos os pontos de virada do seu filme. Com tudo isso pronto, você terá uma boa base para lapidar sua história.

Quais são as funções do diálogo?

O diálogo pode ser expositivo, revelador e explicativo. Em um filme, normalmente as três funções aparecem o tempo todo, mas é preciso tomar cuidado para não cair na armadilha de explicar tudo através de falas dos personagens. Lembre-se daquela velha máxima dos roteiristas “mostre, não conte”.

Levando isso em conta, podemos dizer que a importância que o subtexto tem em toda a sua história, tem um grande peso nos diálogos. Isso porque um diálogo puramente expositivo deixa o filme pobre e sem graça. O subtexto tem que estar lá, as pessoas tem que entender o que está nas entrelinhas e acompanhar a história através de como os personagens veem o mundo, com todas mentiras, ilusões e maldades que aquele universo pode carregar.

E é aqui que entramos no que talvez seja a coisa mais importante na hora de escrever bons diálogos: A construção do seu personagem. Quando você escreve, está na mente do seu personagem e deve escrever como ele agiria e não sobre o que você acha certo ou errado. Um erro comum de muitos escritores é escrever tudo de um único ponto de vista, o próprio, no caso. Cada personagem tem uma voz, um objetivo, uma personalidade e isso tem que ser trabalhado dentro da sua história, caso contrário todos os personagens terão a mesma voz e a história pode ficar entediante.

Quer saber mais sobre construção de personagem? Neste artigo escrevemos sobre história pregressa.

Técnicas para escrever diálogos

Existem alguns exercícios que nos ajudam para saber desenvolver a voz de cada personagem e verificar se os seus diálogos estão verossímeis e condizentes com a história. Um deles é ler os diálogos em voz alta (e até gravar, se possível). Você não precisa ser um ator (mas se for, isso ajuda bastante), mas ao ouvir os próprios diálogos você começa a perceber as diferenças nas falas de cada personagem e assim consegue começar a dar uma voz própria para cada um deles.

Ler e reler várias vezes pensando na troca de valores é outra técnica indispensável para que seus diálogos não se tornem monótonos. Pense que a ação de um personagem gera reação de outro e se as ações e reações carregarem sempre o mesmo valor, o público fica entediado. Imagine um diálogo onde um patrão grita com um funcionário. Se seu objetivo aqui é fazer com que o funcionário se sinta menosprezado, você não precisa repetir esse valor diversas vezes em sua fala. Uma ou duas frases podem dar conta do seu diálogo e podem até mesmo enriquecer sua história.

O que nos leva a outra máxima dos roteiristas “menos é mais”. Em diálogo isso também funciona e funciona muito bem. Então aqui vai outra dica: não se apegue a diálogos. Você pode ter frases muito bonitas, mas talvez você tenha que cortar para a história avançar. O que move o filme e torna seus diálogos mais poderoso é como eles fazem a história avançar sem o público perceber.

Faz sentido pra você? Escreva nos comentários! Ah, e para quem gostou do assunto, nesse outro post falamos um pouco mais sobre diálogos.

*Texto de Tom Freitas

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