QUAL A INFLUÊNCIA DO BEAT NA CONSTRUÇÃO DE UMA CENA?

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Há muito o que se pensar ao construir uma cena. O objetivo dela, o que ela tem para acrescentar no seu filme ou episódio. Qual a melhor locação, em qual lugar faz mais sentido aquele evento acontecer (uma locação bonita não será necessariamente a mais adequada para a sua cena). Em que momento aquela ação ocorre, quanto ela tempo ela deve durar. Dentro da trama, qual a relação da cena que você está criando com a anterior e como ela estará levando o espectador para a próxima.

Também é muito importante dar atenção aos mínimos detalhes e por isso vamos falar hoje da menor unidade de uma cena: o beat. De acordo com Robert McKee, beat é uma mudança de comportamento que ocorre por ação e reação. São comportamentos claramente distintos dentro de uma cena. Um soco, alguém que segura a mão de outra pessoa por medo quando um avião está caindo, alguém que bate uma porta, olha para o lado. Essas pequenas ações são chamadas de beats. E a importância deles? São justamente os beats que vão formando uma cena e eles estão fortemente associados ao ponto de virada dela.  As mudanças que a cena traz para a história vão sendo construídas a cada beat.

Lembre-se que o beat deve ter uma proposta, uma contribuição à cena. Por exemplo, uma arma que é apontada para uma pessoa causa medo, um suspense, uma aflição sobre o que está para acontecer – alguém aí se lembra do fim da terceira temporada de Breaking Bad? Tenha em mente qual é o objetivo da sua cena e construa ações, gestos e movimentos de modo que você alcance essa intenção. Esses mínimos detalhes vão levar a sua cena para frente, culminando em transformações dentro da narrativa.

Os beats vão formar a cena, que irão formar as sequências, que – por fim – construirão os atos. O beat é uma pequena peça não apenas da cena, mas do todo. É como um pequeno tijolo que fará parte de uma casa inteira. Portanto, refletir sobre os beats é como pensar em cada passo da sua narrativa – e o passo correto, em tese, não tem regra, é aquele que vai te levar ao caminho que você busca para a sua história. Você pode (e deve!) incorporar isso também em um storytelling como ferramenta de marketing, pois faz todo sentido. 

*Texto de João Paulo Wandscheer

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