COMO FUNCIONA A JORNADA DO HERÓI?

Tempo de leitura: 4 minutos

“The cave you fear to enter holds the treasure you seek”

Joseph Campbell

Em uma tradução livre, uma das frases mais famosas do antropólogo norte-americano Joseph Campbell diz que a caverna que você teme entrar contém o tesouro que você tanto procura. Se analisarmos grandes obras cinematográficas ao longo do tempo, iremos notar que muitas histórias seguem justamente essa ideia. Teremos um personagem em busca de um desejo e, para alcançá-lo, ele terá que enfrentar seus maiores medos e uma série de obstáculos – que o farão crescer e torná-lo mais forte ao final de sua jornada.

Tendo em vista essa semelhança nas mais variadas narrativas, Campbell reuniu em seu livro “O herói de mil faces” uma análise sobre mitos, fábulas, as trajetórias de ícones religiosos como Buda, Jesus, Moisés e Maomé e outras histórias contemporâneas de sua época. Lançado em 1949, esse estudo o levou a criar um conceito no qual até hoje nos baseamos para escrever uma história: a Jornada do Herói.

Esse tema ainda confunde muitos roteiristas e estudantes de roteiro, já que nem sempre os filmes seguem à risca todos os passos que Campbell apontou para a construção de uma história. Porém, é importante destacar que muitos deles encontram sim proximidades com a Jornada do Herói, entre eles: O Mágico de Oz, Harry Potter, O Senhor dos Anéis, Star Wars, Shrek e outros tantos clássicos do cinema.

Além, é claro, de uma infinidade histórias voltadas ao Marketing. Dê uma olhada nisso pra entender um pouco melhor.

A primeira coisa que precisamos entender, quando nos referimos à Jornada do Herói,  é que estamos falando de uma estrutura narrativa clássica. Em roteiros anti-estruturais, fica mais difícil localizar pontos de encontro da história com o conceito criado por Campbell, porque o objetivo é justamente subverter essa lógica. Se você pretende criar um roteiro com essa proposta disruptiva, não tem problema, mas nada melhor do que dominar primeiro as regras para então quebrá-las, certo?

Tendo em mente que estamos falando de uma estrutura clássica, outra coisa que você precisa compreender é que a Jornada do Herói não traz necessariamente a história de um super-herói. O herói está relacionado ao protagonista, que pode ser uma pessoa, um animal, de fato um super-herói ou, enfim, um ser que irá lutar por seus objetivos de tal forma que o enxergaremos como um herói, um grande vencedor.   

E como essa história começa? Como a vemos pela primeira vez? O início de todo filme tem o objetivo de mostrar o cotidiano do protagonista, o modo banal como ele levava o seu dia a dia antes de ter seu mundo virado do avesso. O começo da sua história, portanto, deve situar o espectador no universo do herói.

Depois dessa etapa de contextualização, vem o chamado para a aventura. Alguma coisa tira o personagem da sua zona de conforto e o coloca no olho do furacão (Dorothy, de O Mágico de Oz sabe muito bem do que estamos falando). Agora, existe uma batalha a ser vencida, um caminho a ser trilhado. Em muitos casos, o herói primeiramente rejeita essa missão, não quer saber dela, porém logo depois a aceita ou se vê forçado a aceitá-la.

Alguns elementos são acrescentados à história para que ela se torne mais interessante. Quando falamos de roteiro, geralmente essa ideia está relacionada ao conflito. O protagonista terá que enfrentar um inimigo, que muitas vezes é comum a todo ser humano (por exemplo, a inveja e a ambição de Scar, em O Rei Leão). A trajetória do herói também é guiada por um mentor, que pode ser alguma figura mais velha ou mais sábia que, mais do que aconselhar, irá dar o apoio e o conhecimento necessário para o seguimento da jornada.

Depois de adentrar nesse mundo novo, o protagonista deverá conhecê-lo. É um novo terreno a ser pisado, lembre-se de trabalhar bem isso no seu roteiro. O herói também irá conhecer novas pessoas, fazer alianças (quando Harry Potter conhece Hermione e Rony, por exemplo) e ser apresentado a seus primeiros obstáculos. Tudo isso deverá ser mostrado em uma crescente que irá culminar no grande clímax do filme, em uma grande crise, que fará o herói pensar que tudo está perdido, mas que logo renasce mais forte e motivado para conquistar seu sonhos, finalmente vencendo o seu inimigo.

Após passar por tantas provas e solucionar o problema, o protagonista encontra o seu tesouro. O filme se aproxima do fim. Neste momento, uma ou outra trama secundária podem ser resolvidas também. O herói chegou ao final da sua missão e, agora, pode voltar ao mundo em que vivia, porém nada mais será como antes. O personagem não é mais o mesmo, não enxerga mais as coisas da mesma forma. É uma nova pessoa. É um novo começo.

Esses foram conceitos básicos que lhe auxiliarão a compreender a Jornada do Herói. Tem alguma pergunta? Deixe aqui o seu comentário!

*Texto de João Paulo Wandscheer

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