MUSICAIS PRECISAM SEGUIR A REALIDADE?

Tempo de leitura: 2 minutos

“Ninguém sai por aí cantando e dançando do nada”

“Filmes musicais não seguem a realidade”

Você, alguma vez, já ouviu críticas parecidas com essas em relação a filmes musicais? Eu já escutei várias vezes. Ninguém é obrigado a gostar de filmes musicais ou querer assisti-los. De fato, cada pessoa prefere um tipo de filme e isso deve ser respeitado. Porém, precisamos ter consciência de que podem existir propostas diferentes das que imaginamos para os nossos filmes, para os nossos roteiros. Também temos que entender uma coisa muito importante: nenhum filme é realidade.

Quando construímos uma história, estamos trazendo, na verdade, um recorte da realidade. Um olhar nosso sobre determinado assunto. Cada autor enxerga um tema de uma forma única, portanto sempre criamos o nosso próprio universo. Talvez a sua proposta possa apresentar elementos mais realistas, um compromisso maior com a realidade. No entanto, mesmo assim, ela será uma ficção, pois será o seu olhar sobre aquele tema. A sua narrativa será construída a partir da sua imaginação e das suas referências (aqui me refiro a todas as coisas que você já viveu, suas experiências, viagens, pessoas que você conhece, filmes que você assistiu, livros que você leu, enfim, tudo que você gosta ou já teve contato). Isso – logicamente – também vale numa narrativa comercial, num storytelling como recurso de marketing.

Se um outro roteirista tentar escrever sobre o mesmo assunto que você, certamente o resultado será dois filmes diferentes, por mais parecidos que sejam. Cada filme é um universo único, que nasceu a partir da visão de um roteirista (ou de uma equipe de roteiristas). Os filmes musicais não fogem dessa lógica. Se, em “Mamma Mia!”, Donna (Meryl Streep) está no quarto conversando com suas amigas e, no minuto seguinte, está cantando e dançando com várias outras pessoas é porque, dentro daquele filme, daquela proposta, isso é possível. Dentro daquele específico universo que foi criado, isso ocorre, está dentro das regras. Isso é ficção, é arte. Não precisa seguir o que entendemos como real fora das telas.

Outros tipos de filme também não seguem a realidade. Por exemplo, em “O Rei Leão” ou “Bambi”, os animais falam. Super-homem, Mulher-Maravilha ou Homem-Aranha possuem habilidades especiais. Harry Potter tem poderes mágicos. Em Star Wars, vemos os mais diferentes seres. Já em “La La Land”, os personagens contam histórias ou transmitem emoções por meio da música. Essa é uma das coisas mais legais de trabalhar com ficção: tudo é possível, tudo pode ser real, tudo está a um passo de se tornar uma canção e belíssimos passos de dança.

E você gosta de musicais? Já escreveu ou gostaria de escrever um? Comente aqui!     

*Texto de João Paulo Wandscheer

4 Comentários


  1. Sou fã de desenhos animados musicados. Desde os desenhos orquestrados antigos até as animações e séries animadas atuais. Eu sou suspeito pra falar disso, pois produzo musicas infantis para animação. Quando puder escreve sobre esse tema.

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  2. Concordo com o texto. Se o que se busca é a beleza, então musicais são válidos. E muito! Enriquecem a linguagem narrativa, aumentando a sua carga emotiva.
    Não consigo assimilar a “novidade” de que arte é estranhamento, choque. Isso pode até ser diversão, mas a arte, pra mim, é mais elevada. É uma necessidade, não só uma conveniência. Deve nos oferecer o que nos falta na vida, que não é tão bela quanto poderia, ou deveria. Surpresas e choques ela já nos dá com bastante frequência, senão na vida rotineira, nos noticiários jornalísticos. Que são quase sempre desagradáveis. A arte permite fazê-los mais agradáveis, ainda que dramáticos e mesmo trágicos, mas profundos, que nos permita nos tornarmos mais e melhores humanos.
    Vejo com frequência distorções travestidas de realismo artístico, sobretudo na telinha, que são apreciados por grande parte do público em geral, sobretudo o jovem, como cenas de tortura e brutalidade, que envenenam o espírito e banalizam a violência, zombam da dor e da fragilidade humana. Esta forte tendência atual ao sadismo conflita com a proposta dos musicais, tidos por excessivamente leves e açucarados.
    Talvez estejamos nos tornando excessivamente amargos e decepcionados conosco mesmos.

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  3. Sim, pretendo escrever um(uns)… mas tenho dúvidas exatamente no roteiro. Gostaria de saber se as letras das músicas eu coloco na boca dos personagens tipo:

    JOÃO
    Ouviram do Ipirangas às margens plácidas
    MARIA
    De um povo heróico….

    Ou se coloco João e Maria cantam o hino nacional….

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    1. Ótima pergunta, rende um texto! Em breve, teremos um artigo sobre esse assunto por aqui 🙂

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