O QUE É “IN MEDIAS RES”

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Quando falamos de “In Medias Res”, estamos nos referindo à forma como uma história é arquitetada e então contada ao público – à sua estrutura. É uma expressão latina que significa “no meio das coisas”, e é justamente nesse ponto que uma história começa quando se utiliza essa técnica narrativa: no meio.

Aqui a ordem cronológica dos fatos é quebrada, e o espectador é jogado a um momento em que os eventos já estão em curso. “In Medias Res” geralmente tem um efeito de questionamento, dúvida sobre o que está acontecendo. Não há tempo para se situar. O público, primeiramente, é surpreendido e então a história volta para o início para explicar como que se chegou até aquele ponto, até o meio da narrativa propriamente dito.

Existem inúmeras possibilidades de se utilizar “In Medias Res”. A história pode começar com os personagens em problemas, no auge de uma adversidade. Porém, a narrativa também pode trazer um início confuso, sem contextualização alguma e que crie perguntas. As respostas? O público terá que ver para descobrir. Esse é um dos grandes objetivos do “In Medias Res”: prender a audiência.

A série “Breaking Bad” nos dá dois exemplos de “In Media Res”. O episódio piloto inicia quando Walter dirige um RV com outras pessoas desacordadas dentro do carro. Ele está sem calças e usa uma máscara antigás. Walter está dirigindo a toda velocidade até que perde o controle do veículo, que atola fora da estrada. Logo começamos a ouvir som de sirene se aproximando. Essa primeira cena já coloca a adrenalina no alto e cria muitas dúvidas:  o que vai acontecer agora? Por que ele estava fugindo? Por que ele está sem calças? Quem são aquelas outras pessoas? Por que estão desacordadas? Bem, é preciso assistir o restante do capítulo para saber.   

Quando falamos de séries, as perguntas que a cena inicial provoca, entretanto, não precisam ser respondidas no mesmo capítulo. Breaking Bad novamente nos prova isso com o primeiro capítulo da segunda temporada, que inicia mostrando um ursinho de pelúcia destruído imerso na piscina da casa de Walter. Para entender o que está acontecendo, o espectador precisa acompanhar a temporada inteira.       

É importante ressaltar que não existe uma forma certa ou errada, melhor ou pior de começar uma história. Começar pelo início ou pelo meio é uma questão de proposta. É necessário analisar muito bem o início que a sua narrativa pede, qual tipo de começo que se encaixa melhor com seu filme ou série. Lembre que “In Medias Res” está associado à estrutura de um roteiro, portanto utilizar essa técnica precisa fazer sentido, precisa condizer com todo o estilo da história, com o roteiro como um todo.

E você? Que tipo de começo prefere escrever? Conte aqui nos comentários!

1 comentário


  1. Acho esse tipo de estrutura interessante também. Acho que a série “Lost” se vale muito dela, não é? E alguns filmes do Almodóvar como “Má Educação”. Particularmente, eu ainda não me aventurei muito por estes caminhos mas é algo que quero experimentar. Parece mais difícil pois o domínio da situação tem que ser total para não cometer muitos furos, mas eu gosto!

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