PARA ONDE A SUA HISTÓRIA ESTÁ INDO?

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Já parou para pensar se sua história está realmente caminhando para alguma direção? Se está gerando transformação para a narrativa e revelando os personagens? Um roteirista não precisa se limitar a regras, mas é importante refletir sobre essas questões no momento de construir um filme ou uma série (nem que seja para decidir ignorar esses questionamentos e fazer isso com uma consciência maior).

Para criar um roteiro consistente dentro de uma estrutura narrativa clássica, é fundamental pensar na função que cada personagem irá desempenhar na história, qual é a personalidade deles, quais objetivos eles têm, como o passado deles poderá interferir no presente, com quem se relacionam, quem são seus amigos, familiares, colegas de trabalho/faculdade/escola. Pense se a história não tem personagens demais ou se está justamente faltando algum personagem.

Outro ponto que pode ser levado em consideração é a necessidade de determinados eventos. Será que aquela cena precisa existir? Ela está comunicando ou simbolizando algo dentro da narrativa? Qual a finalidade da sequência que você está criando? O que ela acrescenta à história? Talvez determinadas ações não estejam fazendo tanto sentido. Por isso, cada passo precisa ser pensado, planejado.

Uma das 22 regras da Pixar para uma boa história é criar o final antes do meio (criar um final pode ser mais difícil do que se imagina). Se você mudar de ideia, sem problemas: reescreva esse final. Reescreva o meio, o início da história se achar necessário. Não é preciso ficar preso a uma ideia. Inclusive, é muito importante que roteiristas saibam desapegar de algumas ideias em determinados momentos. A questão é que começar pelo final pode facilitar muito a sua vida, pois você saberá exatamente aonde precisa chegar.  

Todos esses levantamentos podem contribuir para a criação de tramas mais coerentes, porém mais do que isso: podem aumentar as chances de criar uma história mais impactante, que surpreenda positivamente o público. Colocar-se no lugar dos espectadores é muito importante.

Pense em alguém que está começando a assistir uma série imaginária. O episódio inicia e vários personagens são apresentados. Várias coisas estão acontecendo, conflitos, brigas, drama, mas algo está faltando. Assim como uma história nova começa, ela termina sem deixar consequências, sem trazer novos acontecimentos (quem sabe, sem colocar os personagens em novos problemas), sem propor reflexões ou fica transmitindo a mesma sensação a cada cena que passa. A solução do grande mistério do episódio não está à altura de todo o suspense e curiosidade que criou no público. Então, vamos pensar: houve algum sentido em assistir tudo que estava sendo contado até então?

Certamente, alguns eventos podem ser menores do que outros e deixar menos marcas na vida dos personagens. No entanto, é importante estar consciente das histórias que estão sendo criadas, se elas fazem o roteiro seguir um rumo ou se são apenas um conjunto de tramas que caminham sem propósito algum, sem trazer mudanças e sem revelar quem são aqueles personagens que os espectadores estão acompanhando.

Não é preciso explicar tudo em um roteiro, é possível deixar dúvidas no ar, mas é fundamental que isso seja parte de uma proposta. Há séries que algumas vezes acabam até mudando de protagonista (ou seja, de foco e perspectiva da história que está sendo contada). Em tese, não existem regras para escrever, mas é importante sim levar em consideração certos cuidados. A grande questão é: essa mudanças faz parte de uma proposta bem definida ou será que as pessoas que escrevem essa história estão perdidas?

Por isso, é tão necessário que se planeje cada passo que a história irá dar, a função de cada personagem, o objetivo de cada cena. Tão importante quanto elaborar um bom início para uma trama é saber criar o seu desfecho.  

Conte pra nós: você planeja cada passo que constrói para a sua história? Deixe aqui nos comentários.  

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