UMA DICA FUNDAMENTAL PARA APROFUNDAR SEUS PERSONAGENS

Tempo de leitura: 3 minutos

Dentre as diversas dicas que existem para que o seus personagens, e em especial o protagonista, se tornem mais profundos, ADICIONAR UM MEDO pode ser uma das mais eficientes. O medo é uma camada profunda de nós mesmos, é um sentimento que muitas vezes tentamos esconder ou evitar, pois é algo que incomoda. Por isso esse sentimento pode tonar seu personagem tão verossímil.

Em Indiana Jones e a Última Cruzada, roteiro de George Lucas, Jeffrey Boam e Phillip Kaufman e dirigido por Steven Spielberg, descobrimos o grande medo do herói: Cobras. Agora, perceba como a história fica muito mais interessante. Ao mesmo tempo que vemos um aventureiro destemido, capaz de enfrentar todo tipo de inimigo, também percebemos que ele possui um medo, uma fraqueza. E isso faz com que acreditemos que esse personagem possa realmente existir, o faz mais humano. Esse tipo de profundidade cria empatia com o público, pois todos nos identificamos com aquele medo em algum nível. Imagine se Jones fosse apenas um herói forte, sem medo de nada e com a capacidade de passar por qualquer obstáculo. O filme iria perder a graça porque o público não iria se identificar, porque esse tipo de pessoa não existe.

Mas a principal função do medo em um personagem, com certeza serve para indicar a mudança. Como já dissemos várias vezes em outros posts, quando se trata de narrativas clássicas, os seus personagens precisam evoluir. No início da história eles são uma coisa e passam por transformações até serem outra. E é aí que entra o medo.

Tomemos como exemplo o clássico Um Corpo que Cai, roteiro de Alec Coppel, Maxwell Anderson e Samuel A. Taylor e direção de Alfred Hitchcock, onde o detetive John Scottie é mostrado logo na primeira cena como um personagem que tem medo de altura. Mais do que isso, esse medo também gerou um trauma, pois foi em uma situação assim que seu companheiro de trabalho morreu.

O detetive recebe uma a missão de seguir a esposa de um amigo por toda a parte. E dentro os diversos lugares para onde a mulher vai, alguns são muito altos. Nesse momento nós vemos os primeiros desafios para que a mudança de John ocorra. Aqui ele ainda pode apenas observar a mulher de longe. Perceba que o roteirista precisa impulsionar o filme se ele quer que essa mudança ocorra.

Ao longo da história, outras características são adicionadas ao personagem, como o envolvimento romântico dele com Madeleine, a mulher do amigo e, com isso, vai se tornando mais profundo. Até que, em determinado momento, o personagem é obrigado a enfrentar esse medo de altura. Observar o lugar alto de longe não é o suficiente. E apenas um pedido de seu amigo também não o faria enfrentar esse medo, mas um amor sim.

É sobre isso que estamos falando quando falamos em PROFUNDIDADE dos personagens. Diversas características que o fazem entrar em conflito e, consequentemente, fazem com que o personagem passe por um arco dramático. Não importa se a mudança foi de algo bom para algo ruim ou o contrário, o importante é que tais características da personalidade do personagem fazem com que ele precise mudar para atingir seus objetivos.

O medo muitas vezes é o passo final para essa mudança. Em Um Corpo que Cai, ele aparece em dois momentos-chave para compreendermos a narrativa. Em Indiana Jones, o medo tem a função de fazer com que o personagem evolua e se sinta mais preparado (e o público também se sente mais preparado) para enfrentar os inimigos.

Faz sentido pra você?

3 Comentários


  1. Faz tempo que eu percebi a importância do herói ser mais humano e não aquele herói perfeito que Hollywood gosta de simbolizar.Isso não quer dizer que uma pessoa não deva enfrentar seus medos é claro que sim.

    Responder

  2. Boa noite !
    Estou precisando de um tradutor ou adaptador de um roteiro em português para inglês , tem alguma indicação?

    Responder

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *