NÃO DESISTA DE SER ROTEIRISTA

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Ninguém gosta de ser rejeitado. É uma dor que pode abalar muito profundamente um roteirista. Fazê-lo pensar que não é talentoso, que é menos do que os outros que estão fazendo sucesso e recebendo reconhecimento. Milhares de pensamentos podem passar pela cabeça de um roteirista que sofre uma rejeição com o seu trabalho. Cada pessoa a recebe de um jeito e talvez exista apenas uma coisa que certamente se sabe: a rejeição não é agradável. Por isso, é tão temida.

Nenhum roteirista gostaria de ver sua obra sendo rejeitada por alguma produtora, alguma empresa, algum edital, festivais ou concursos. Isso pode mexer tanto com a autoestima de um roteirista que muitos pensam em desistir. De fato, o audiovisual é um meio bastante desafiador e é bem fácil acreditar que não teremos força para contornar todos os obstáculos que irão surgir no nosso caminho. Porém, nesses momentos, lembro de um vídeo do canal da escritora americana Anne Rice, muito conhecida por suas crônicas vampirescas de Entrevista com o Vampiro.

Escritora Anne Rice. Fonte da imagem: http://www.latimes.com

Nesse vídeo, Anne Rice passa conselhos a escritores que estão começando e a primeira dica dela é: escreva. O que te faz um escritor é escrever. Lembro que nunca esqueci essas palavras, pois elas também se aplicam a um roteirista. Às vezes, nos preocupamos tanto em lançar um filme que acabamos nos esquecendo que a essência do trabalho de um roteirista é criar histórias.

Lançar um filme, de fato, faz sentido. Se esse é o seu desejo, siga em frente, mas não perca de vista que, se você está criando histórias hoje e está as colocando em um roteiro, você já é um roteirista. Acredite no seu trabalho. Acredite na sua voz. Outra coisa que Anne Rice menciona que sempre carrego comigo é que devemos sempre continuar. Não importa o número de rejeições que recebemos. Não importa se as coisas não saem como o planejado: continue.

De acordo com a escritora norte-americana, se um editor recusa um livro é porque não o compreendeu. Isso não quer dizer que um roteirista não precise aprimorar o seu trabalho. Sempre é necessário melhorar. Sempre é possível evoluir. Porém, ser rejeitado não significa que sua história não tenha valor, que não tenha uma perspectiva única e incrível, uma singularidade. Cada um enxerga o mundo de uma forma, acredite na sua. Aprofunde-se naquilo que você ama, que te põe em movimento, que te causa um milhão de sensações e coloque tudo isso em uma página (ou várias).

Contar histórias, até mesmo aquelas mais fantásticas, é falar sobre o ser humano. Sobre nossas dores, nossas vitórias, nossas jornadas. Busque entender as diferenças e semelhanças que existem entre todos nós. Reflita sobre suas próprias experiências. Uma história é muito mais do que uma narrativa com início, meio e fim, uma história é um conjunto de ideias, experiências, sentimentos, visão de mundo. Portanto, leia, estude, assista filmes, acompanhe séries, viva. Isso, certamente, irá ajudar qualquer roteirista a construir uma história inovadora. 

Conforme Anne Rice, o mundo editorial busca justamente novas vozes, novas visões, novas histórias e novos personagens. Você não precisa tentar se igualar a um artista que já faz sucesso. Essa voz já existe. Busque a sua. E se o caminho ficar muito difícil? Continue. Não pare. Procure parcerias, faça um blog, junte-se com seus amigos e faça um filme de baixo orçamento ou crie uma série e a coloque no YouTube – muitas pessoas já estão fazendo isso. Sempre haverá espaço para novos roteiristas, pois sempre haverá alguém querendo ouvir uma nova história. Anne Rice fala que ela começou do nada, sendo uma ninguém e que já ouviu diversas vezes que seu trabalho não era bom – e veja só aonde ela chegou.

3 Comentários


  1. Muito bom, as vezes nos sentimos desestimulados, mas lendo este texto é como tomar um revigorante, a gente acaba de ler e já somos dominados por uma grande vontade de escrever. Obrigado.

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  2. Estou com certa dificuldade em reter os seus ensinamentos, Marcelo. Acho que não posso dizer da falta de tempo e do cansaço diário para seguir em frente. Mas tenho consciência que posso e devo superar. Adoro o curso e fico abestalhado com os novos conceitos aprendidos. Estou feliz, de certo modo, mas triste porque queria mais do que eu posso dispôr. Nada pode me fazer parar, contudo há duas chamas que são a literatura e o cinema , que estão dentro de mim e exala dos meus poros. Minha vida, tudo. Obrigado , Marcelo! Seguimos para o alto e em frente!!

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  3. Eu desisti, por que tem muita regras , e ainda não pode colocar ou indicar a emoção, estou mais a fim de contar minhas historias, sem seguir fórmulas consagradas, espero um dia ter paciência, por isso comprei o curso por que é vitalicio, até o fim da vida escrevo mais historias e talvez transforme em roteiro.Algum dia isso vai fazer algum sentido, por enquanto stand by.

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