OS PRIMEIROS PASSOS DE UM ROTEIRISTA

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Um milhão de perguntas devem passar pela cabeça de quem está querendo se tornar roteirista. Como devo formatar um roteiro? Como fazer uma boa história? Quando posso me considerar um roteirista? Quanto vou ganhar? Como é o mercado? Todas essas perguntas são válidas, porém a primeira coisa que você deve entender antes de se tornar um roteirista é como funcionam os processos de criação. Antes de pensar no mercado, projetos e histórias, tente se autoconhecer. Esse é o primeiro desafio. Saber o que você busca como artista e o que você tem para expressar, para mostrar ao mundo.

Seu próximo passo será ter em mente que cada pessoa cria de uma forma. A princípio, pode parecer óbvio, mas muitas pessoas se deixam levar por uma ansiedade ao ver colegas utilizando estratégias diferentes das suas para escrever e que parecem ser mais eficientes. Aquela antiga história de que a grama do vizinho sempre parece mais verde, sabe? Bem, foque em você mesmo, na forma como você cria.

Encontre um horário que fique melhor para você escrever (nem que seja um parágrafo), organize sua rotina de forma que você sempre esteja em contato com a escrita criativa (música, literatura, filmes, teatro), anote as ideias que surgirem, leia muito e o principal: produza! Quanto mais escrever, mais você se encontra. Assim você descobre os assuntos que mais lhe interessam, as marcas que a sua forma de se expressar carrega, os gêneros cinematográficos que combinam mais com seu estilo, as estruturas narrativas que você prefere adotar e, desse modo, vai se descobrindo como artista.  

Não tenha medo de colocar a mão na massa, pois o processo de criação nunca é linear. Cecilia Almeida Salles, no livro “Gesto Inacabado, processo de criação artística”, coloca em questão o conceito de obra acabada, pois, conforme a autora, não devemos encarar nossas obras como algo final e definitiva: criar consiste em um processo que está em constante mobilidade. Portanto, aquela ideia que você tem hoje pode (e deve) ser repensada e modificada futuramente. Então, sem medo de “errar”. Vá testando, experimentando, até encontrar uma versão da história que o satisfaça – e essa sensação é realmente incrível!

Porém, muitos roteiristas sentem uma angústia enorme ao ver que a ideia que estão colocando no papel não está tendo o resultado que esperavam quando elaborada lá no plano das ideias. Se você está começando, talvez essa angústia seja maior. Portanto, não se deixe levar por essa ansiedade, ela faz parte do processo de criação.

Lembre-se de guardar seus rascunhos, esboços, versões antigas de roteiros. Todas essas coisas podem ser revisitadas e repensadas. Você fará isso o resto da vida. Seus roteiros passarão por muitas versões até chegarem ao set. E está tudo bem! Talvez você precise destruir alguma ideia para construir uma nova. A experimentação faz parte do processo criativo, que é formado por movimentos de progressão e regressão infinitos, conforme a autora Cecilia Almeida Salles destaca.

Você não precisa escrever hoje o roteiro da sua vida, ele vai surgir com o tempo (e, quem sabe, poderá ser mais de um, vários roteiros que irão marcar a sua trajetória como artista). O importante é que você crie. Para ser roteirista, você não precisa de prêmios, ser famoso e reconhecido, estar ganhando dinheiro. Você só precisa escrever roteiros.

Buscar uma formação também é um passo muito importante, mas esse é assunto para outro texto. Agora que você já sabe um pouco mais sobre o processo de criação, que tal colocar algumas das suas ideias no papel (ou na tela do computador)?

Boa escrita!

*Texto de João Paulo Wandscheer

2 Comentários


  1. Ótimo texto. Realmente, cada um tem seu método de criação… Agora uma coisa que quero perguntar, e até um desabafo… Pq é tão difícil conseguir produtores interessados em nossos roteiros e projetos?! E nem to falando em vender, até para mostrar é difícil! E os canais tbm não ajudam. Será no Brasil todo roteirista tem que ser produtor tbm?

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    1. Olá, André! Ótima pergunta. Já estamos produzindo um material sobre esse assunto. Fique ligado aqui no blog que logo mais iremos trazer essa relevante questão que você mencionou 🙂

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