O QUE É UMA BOA HISTÓRIA?

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Pense nas melhores histórias que você já ouviu. Certamente, a maneira como elas foram contadas contribuiu para que se tornassem inesquecíveis. Uma boa história conta os melhores momentos de um personagem. É importante entendermos que aqui o conceito de melhor não se refere ao momento mais feliz da vida do personagem (em muitos casos, justamente o contrário) e sim àquele mais impactante, que mais o transforma. Precisamos selecionar o que irá para as telas. 

Vamos utilizar como exemplo o longa-metragem de Juan Antonio Bayona “O Impossível”. Nele vemos a luta de Maria (Naomi Watts) e Henry (Ewan McGregor) para sobreviver e reunir a sua família após um tsunami devastar a região da Tailândia onde eles tiravam férias. O filme conta a história dessa família no período mais desafiador de suas vidas, no qual tiveram que encarar suas maiores dificuldades.

Isso não quer dizer que sua história tenha que ser sobre uma grande catástrofe natural. Há filmes como “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”, em que Alvy (Woody Allen) lida com os dilemas do relacionamento que mais marcou sua vida; “La La Land”, que conta o esforço de Mia (Emma Stone) para alcançar o sucesso como artista; ou “As Vantagens de Ser Invisível”, que inicia quando Charlie (Logan Lerman) passa a estudar em uma nova escola e está lidando com a recente morte do melhor amigo. Apesar de diferentes contextos, esses filmes contam uma fase de transformação, apresentam um recorte específico da vida dos personagens. Mesmo que você pretenda escrever, por exemplo, sobre uma pessoa que viva 100 anos, a sua história não irá trazer tudo o que aconteceu nesse século e sim os momentos mais marcantes, mais relevantes da trajetória do seu personagem.  

Eventos banais e comuns não entram nos roteiros (a não ser que falar sobre momentos banais do cotidiano seja a sua proposta!). Se o seu protagonista toma banho e come omelete todas as manhãs logo depois que acorda, mas essa rotina não carrega significado ou não faz a história se movimentar, então essa parte do dia não precisa ser contada. O que você precisa é criar eventos que gerem mudanças, já que são elas que colocarão a sua história para frente.

No entanto, tome cuidado para não ignorar o passado e o futuro dos seus personagens. Precisamos mostrar no roteiro como o passado do personagem o definiu, levou-o até aquela fase tão transformadora. É essencial que façamos nossa narrativa caminhar, levando o personagem a um futuro que se desenha a partir dos acontecimentos que escrevemos.

E como organizar todos esses eventos? Na estrutura clássica, utilizamos atos, sequências e cenas. Cada sequência e cada cena deve ser pensada com um objetivo, deve ser inclusa para movimentar a trama. A seleção de quais eventos devem entrar na história parte de uma decisão do autor.

Aqui um recado importante: isso também vale no Marketing Narrativo – quando você utiliza o Storytelling para conectar-se a um público específico. Aqui tem uma aula sobre isso.

Portanto, antes de começar a escrever sobre a jornada de seus personagens, conheça-os muito bem: construa um passado para eles, revele e desenvolva a personalidade deles por meio das ações, entenda o que eles almejam. Quanto mais você os conhecer, maior será a profundidade com que você irá retratá-los – e melhor você saberá conduzir essa história.

E, para você, o que é uma boa história? Conte pra gente aqui nos comentários!

*Texto de João Paulo Wandscheer

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